Exportação de cafés especiais: uma história de sucesso na Bourbon Specialty Coffees

Tudo começou quando dois primos que vieram de famílias produtoras de café decidiram, em 2000, inaugurar a Bourbon Specialty Coffees, após participarem e vencerem dois campeonatos: o Cup Of Excellence e o concurso Illy, em 1999. Há 21 anos no mercado, a Bourbon é uma exportadora de café verde que envia cafés para os 4 cantos do mundo. Por ano, são mais de 350 mil sacas de café cru exportados, provenientes de 8 regiões produtoras distintas (Vale da Grama, Sul de Minas, Alta Mogiana, Ibiraci, Cerrado, Caparaó, Araponga e Espírito Santo).

A fazenda Cachoeira da Grama, localizada na região do Vale da Grama, no estado de São Paulo, é o berço da marca que possui até o presente momento 6 filiais parceiras espalhadas pelas regiões produtoras, com escritórios comerciais e laboratórios para análise das amostras de café.

Para suprir o volume das exportações que ocorrem em mais de 80 países, a Bourbon dispõe de uma equipe com mais de 120 funcionários. Somente na parte de controle de qualidade da Matriz, em Poços de Caldas, são 15 profissionais especializados entre provadores, torrefadores e classificadores de café, 9 destes com certificação Q-GRADER.

O engenheiro agrônomo e Mestre de Torras da Bourbon, Donieverson Afrânio dos Santos (Campeão Nacional do Campeonato de Torra de 2018), é também um dos principais envolvidos nos processos internos empresa. No dia a dia, ele é um dos responsáveis pelos testes das amostras de café que chegam ao laboratório.

“Aqui na Bourbon nós prezamos pela consistência dos cafés. Trabalhamos para manter nosso padrão de entrega, sempre com foco em replicar os processos e manter a excelência nos cafés que recebemos”, explica.

Equipado com um TP 2, TP 4 e com um Probatino, o laboratório da Bourbon Specialty Coffees chega a testar, durante o período de safra, de 170 até 200 amostras por dia, entre os meses de agosto a janeiro. Após o teste realizado com as amostras dos cafés torrados, eles passam para a etapa de cupping para classificar e selecionar os melhores cafés.

“Como nosso volume, principalmente durante a safra, é grande, temos um grande número de amostras. Por isso é tão importante para nós contar com profissionais com os sentidos aguçados e com equipamentos que entreguem performance para, dessa forma, agilizar o processo sem perder a qualidade do produto final”, explica Donieverson.

A manutenção periódica dos equipamentos também ajuda a garantir a consistência e garantia de que os cafés seguem um rigoroso padrão visando manter a qualidade.

“Realizamos periodicamente a limpeza de ar e manutenção dos torradores – assim garantimos a reafirmamos a garantia com a qualidade do nosso produto além de prolongar a vida útil dos equipamentos”.

São inúmeros fatores que fazem a Bourbon Specialty Coffees ser reconhecida como uma das principais exportadoras de café do país. São mais de 2.000 produtores envolvidos ao longo de 21 anos de história, oriundos de 8 regiões produtoras diversas. Para administrar todos esses números e atender um mercado em crescente expansão, a marca valoriza muito o relacionamento desenvolvido tanto com o cliente como com os produtores, como forma de aproximar e estreitar os laços entre os elos que ligam a cadeia do café.

Com o objetivo de mostrar para o mundo a riqueza e diversidade dos cafés brasileiros, uma das formas que a Bourbon encontrou para fazer isso foi aproximar os clientes dos produtores.

“Antes de fechar parceria com novos produtores, vamos até a fazenda, conhecemos a forma de cultivo, a forma de manejo, sentamo-nos à mesa com a família, compartilhamos histórias, experiências. Quando os clientes vêm até nós, levamos eles até as propriedades para conhecer e mergulhar na história dos cafés que estão adquirindo, dessa forma, cultivamos um relacionamento exclusivo com cada um que, muitas vezes, ultrapassa a barreira comercial. Temos clientes e fornecedores que hoje são grandes amigos, como se fossem parte da família”, conta.

Com o aumento no nível de exigência dos consumidores que buscam cada vez mais conhecer os processos e a excelência na qualidade, o processo de aproximação com os produtores ocorre com foco em entregar ao cliente cafés com rastreabilidade, garantindo maior segurança para ambos.  Além das fronteiras que delimitam as fazendas, é no laboratório onde os compradores de café verde tem acesso ao processo de prova e trocam informações sobre as amostras avaliadas, como: a curva de torra, análise sensorial, formas de extração, mercado consumidor e etc, tudo para que tenham a garantia de que estão adquirindo um produto de qualidade e terão o suporte necessário para desenvolvimento de seus produtos.

Além dos limites da Bourbon

Após vencer o a 2ª edição do Campeonato Brasileiro de Torra, Donieverson nos conta que muita coisa mudou desde que recebeu o troféu do 1º lugar.

“Sempre fui muito curioso e tive o lado técnico/científico mais aflorado desde cedo. Para mim, representar mundialmente o país que mais produz e exporta café no mundo é uma responsabilidade imensa, a qual sou grato pela oportunidade”.

Desde que participou do campeonato, Donieverson passou a se especializar e praticar ainda mais o dia a dia em laboratório. Cercado por inúmeras amostras de cafés na Bourbon, para ele o processo de torra tem impacto direto no produto, por isso a importância em aliar técnica à prática constante em equipamentos de primeira linha.

“A cadeia do café é muito integrada, por isso a troca de conhecimento é sempre muito enriquecedora para todos os lados. No fim das contas, o objetivo é sempre o mesmo: buscar a perfeição para entregar ao consumidor os melhores cafés. O espírito de equipe que vivenciei no campeonato e que vivencio diariamente aqui é importantíssimo para o desenvolvimento ainda maior do setor”, conclui.